Fevereiro 06 2011

O adjectivo “africana”, acima mencionado e que qualifica a palavra filosofia, é formado a partir do termo “África” que, segundo alguns estudiosos da linguagem, deriva do Grego “aphriké”, do Berbere “awrigas”, de “afryquah” significando colónia, e do Latim “aprica” significando “exposto ao sol”.Desse último significado da palavra África, ou seja, exposto ao sol, e da inconstância sócio-económico-política do continente africano, forja-se falaciosamente a ideia de que o povo africano não tem “queda” para filosofia, não tem “cabeça” para abstracção, para metafísica. Será isso verdade? Não há nessa opinião um preconceito que remonta a Homero, Aristóteles, Platão e outros?A expressão ”filosofia africana” pode parecer estranha para muitos, no entanto, o povo africano filosofa, tem “cabeça filosófica”. Senão vejamos: Metafisicamente falando, os africanos possuem palavras e termos que remetem à ideia, a conceitos ontológicos, tais como, em Iorubá (língua africana): “ni” significa ser, ”mõ” significa conhecer, ”ofifo” significa o nada.Em Banto (outra língua africana): “ntu” expressa a ideia de ser. A partir do conceito de ser (ntu), a cultura bantu deriva quatro categorias de tudo o que se pode conhecer: 1. “muntu” conceitua o ser-de-inteligência (o ser humano); 2. “kintu” significa o ser-sem-inteligência (as coisas); 3. “hantu” expressa o ser-localizador (lugar-tempo); 4. O ser-modal (modificação do ser).Além dessas quatro categorias, na filosofia africana, especificamente a filosofia bantu, são de suma importância estes conceitos: unificação de lugar e tempo, distinção entre o existir e o viverOs bantu (etnia africana) chegam à ideia de que lugar e tempo são concomitantes, baseados na localização dos existentes, uma vez que “qualquer existente, assim que surge, supõe necessariamente o antes e o depois”. Ao lado disso, a diferença entre o existir e o viver se faz, na filosofia bantu, da seguinte forma: o existir é abrangente, geral, universal; enquanto que o viver é um momento do existir, é uma particularidade do existir.Convém observar que alguns pensadores africanos entendem que os conceitos filosóficos chegam a eles através da música, da percussão, da religião e da dança. 

 

Fonte: Jornal de Angola

 

 

 

Paulin Hountondji

 

Vida e Obra

 

Um cidadão de Benin, Paulin J. Hountondji nasceu em Abidjan, Côte d'Ivoire. Ele é professor de filosofia na Universidade de Abomey-Calavi, Cotonou, uma das duas universidades nacionais do país e diretor do Centro Africano de Estudos Avançados em Porto-Novo (Benin). As publicações incluem: Africano Filosofia, Mito e Realidade, 2 ª edição, Indiana University Press, 1997; transl. Henri Evans com o collab. de Jonathan Rée, Introdução por Abiola Irele; Endigenous Conhecimento: Trails Research (ed.), Dakar, o CODESRIA 1997; transl. Ayi Kwei Armah; The Struggle for Meaning: Reflexões sobre Filosofia, Cultura e Democracia na África, Ohio University Press, 2002; transl. John Conteh-Morgan, La rationalité, plurielle OU une:? (Ed.), Dakar, o CODESRIA, 2007; L'ancien et le nouveau la produção du savoir dans l'Afrique d'aujourd'hui, Porto-Novo: africain Centro des Hautes Études, de 2009, e outros livros e artigos, principalmente em francês. Paulin J. Hountondji participaram da Conferência Nacional de Fevereiro de 1990 no Benin e foi ministro da Educação, então Ministro da Cultura e da Comunicação 1990-1993. Vice-Presidente do Conselho Iternational de Filosofia e Estudos Humanísticos (CIPSH) 1998-2002, ele também era de 2002-2005 Vice-Presidente do Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA), e é atualmente membro do Comité de Direcção da Federação Internacional de Sociedades Filosóficas. Ele foi nomeado no final de Março de 2009 como presidente do Conselho Nacional de Educação no Benin.

 

A crítica da etnofilosofia, desenvolvidas em África desde os anos setenta, inclusive em meu próprio trabalho, implica uma crítica do relativismo e uma posição universalista forte. O objetivo desta pesquisa é mostrar que a demanda por universalidade não é peculiar à civilização ocidental, como freqüentemente tem sido alegado por alguns estudiosos, até agora. Em vez disso, podem ser encontrados em todas as culturas ao redor do mundo, incluindo África. Protesto contra ou ceticismo em relação a normas tradicionais não é necessariamente devido à influência ocidental, não é apenas um acidente histórico que afectam as sociedades Africano de fora. Forças de mudança interior. A mudança foi ocorrendo de dentro do tempo antes do encontro com o Ocidente, embora nem sempre é fácil identificar em um determinado ponto do tempo, estas forças de mudança. No entanto o meu especial interesse não está na mudança como um todo: as mudanças económicas, sociais e políticos, por exemplo. Meu interesse especial é a mudança cultural e, mais especificamente, a mudança no nível de idéias e normas. Minha hipótese é que em primeiro lugar, essa mudança (vamos chamá-lo temporariamente: mudança ideológica) só pode ser um processo endógeno, mesmo se isso acontece por acaso para ser acelerado ou desacelerado ou afetado de alguma forma por outros encontros interculturais e inter-civilizacionais; e mudança, segundo tal é sempre dirigido para um fim teleológico, que é a construção da Universal.

publicado por Lucilio Bule às 13:15

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